A força da mulher maceioense

Todos os dias, ela levanta às cinco da manhã e já corre apressada para preparar o café da família. Logo, vem a lembrança de que, no dia anterior, esqueceu de ajudar o filho na tarefinha da escola e que hoje precisa, assim que chegar do trabalho, dedicar-se um pouco mais a ele e a seu esposo- que há uma semana vem cobrando sua atenção.

A história da personagem é semelhante a da Maria, Joana, Márcia e de tantas outras mulheres- múltiplas em seus atos e sentimentos. Maceió é repleta dessas heroínas que fazem a diferença. Assumem – com todo amor – a família, a casa,  o trabalho e ainda encontram tempo para cuidar de si mesmas.

Na sala de aula da professora Joseana Fernandes, a palavra de ordem é “confiança”. Com momentos interativos e cheios de criatividade, a jovem turma da Escola Municipal Maria de Fátima Lira, no Benedito Bentes, é presenteada, diariamente, com novos olhares em relação às mais diferentes questões humanas.

Joseana e sua turminha numa ida ao cinema – a primeira vez para muitos deles. Foto: Joseana Fernandes/Instagram

A vontade de fazer a diferença sempre acompanhou a educadora que viu nos livros a incrível chance de evoluir enquanto pessoa e profissional. “Morava no Vergel e, por não ter dinheiro, saía de lá, a pé, até o centro da cidade,  onde pegava um transporte para a universidade e foi assim até eu me formar- um momento de muito orgulho. Hoje, tento levar meus alunos a perceberem como são importantes e mostro a diversidade de coisas boas que o mundo oferece a todos eles”, conta a professora.

“Sonho com um mundo em que as pessoas brilhem pelo seu potencial, profissionalismo e capacidade técnica e não por outras questões como gênero ou cor”, diz a jornalista Elen Oliveira. Foto: Pei Fon/ Secom Maceió

Elenilda Oliveira exerce um cargo de chefia na Secretaria Municipal de Comunicação de Maceió e assim como a educadora Joseana, também carregou a determinação em todos os episódios de sua vida.  Nascida em Paulo Jacinto, vem residir ainda jovem na capital alagoana onde se forma em Jornalismo e constrói uma premiada carreira na área.

Com uma trajetória de especial inclinação para os direitos humanos, a jornalista traz em suas ações muito do que aprendeu com as grandes mulheres de sua família. Seu trabalho e a filha Maria Beatriz, de 19 anos, são, para Elen, a força que a impulsiona para frente e a faz superar os desafios que surgem todos os dias.

“Bordar para mim é como uma terapia – enquanto faço minha peça eu penso na vida e saio resolvendo tudo na minha cabeça”, revela Valéria. Foto: Pei Fon/ Secom Maceió

A vida de Valéria Brasileiro é bem movimentada. Ela cuida dos dois filhos, sobrinha, da casa, além de fazer um belo papel de mãe para sua irmã Elizabete de 48 anos – portadora de retardo mental. Mas essas são só algumas de suas atividades porque dentro da correria diária, a moradora do Pontal da Barra ainda encontra tempo para tocar sua loja de artigos artesanais.

Ela conta que sente muita satisfação em poder cuidar de todos e por ter aprendido a bordar pelos próprios esforços e hoje fazer disso a maior parte de seu sustento. “Aprendi a bordar sozinha aos sete anos. Minha mãe não me ensinava. Eu ficava olhando por muitas horas até que um dia eu fiz meu primeiro ponto de bordado e fiquei muito feliz”, revela a rendeira que traz no semblante sinais de uma vida de luta e importantes aprendizados. 

Franksiland se descreve como alguém que não baixa a cabeça facilmente por ter Deus como seu maior guia. Foto: Polyanna Monteiro com edição de Marco Antônio/ SECOM

Franksiland da Silva é o nome da determinada manicure que tem uma história marcada por momentos de muita pobreza e dificuldades. Mais velha de oito irmãos, Fran começou a trabalhar aos 13 anos para ajudar sua família que morava em um barraco de lona. Aos 21, engravida de sua única filha Geovana- o que só faz intensificar sua vontade de trabalhar e vencer pelos próprios esforços.

Nem a perda de sua mãe – vítima de uma imprudência no trânsito – abalou a confiança da manicure que, recentemente, conseguiu se especializar em Podologia e hoje divide sua agenda entre as duas profissões. “Atribuo meu sucesso a minha capacidade de acreditar em mim mesma, de não fraquejar diante das dificuldades, de imaginar que sempre há uma saída a ser buscada e de jamais duvidar da ação de Deus em minha vida”, afirma Fran orgulhosa.

Danny Bond em um de seus trabalhos artísticos. Foto: Arquivo Pessoal

A “Rainha do Jacintinho” fecha essa lista de mulheres que representam a força feminina em Maceió. Danny Bond é uma das maiores artistas transexuais da capital alagoana que, aos 22 anos, coleciona conquistas como já ter dividido o palco com cantoras como Pablo Vittar, além de ser uma das autoras da música “Loka de Pinga” – um dos hinos  LGBT no carnaval de 2019.

Danny elege sua mãe como seu grande referencial feminino e acredita que as mulheres têm “uma força que nunca seca” e por isso se esforçam, lutam e se dedicam com tanta vontade. Dedicação estampada em toda a trajetória da artista que alega estar muito satisfeita com o lugar já conquistado no mercado fonográfico e por conseguir   “ser voz e representação de tantas pessoas que são excluídas pela sua orientação sexual ou de gênero”.

Polyanna Monteiro

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