Produções demonstram qualidade cinematográfica em Maceió

É notável o crescimento da produção audiovisual em Maceió. A lista de filmes, cineclubes, festivais e capacitações na área vem ampliando a cada dia. Como resultado dessa movimentação, é possível observar obras que avançam em excelência e atraem olhares de todos os lugares do Brasil e do mundo para o cinema local. 

A Barca, dirigido por Nilton Resende, é uma dessas produções e teve no conto “Natal na barca”, de Lygia Fagundes Teles, sua inspiração. A história trata de um diálogo noturno entre duas mulheres dentro de uma barca e coloca em foco as atitudes humanas nas situações mais difíceis – segundo Nilton-  “nas noites escuras da alma”. 

O curta-metragem já foi selecionado para exibição em festivais dentro e fora do Estado, o que para Nilton é muito importante. “Ver as águas da lagoa Manguaba sendo apresentadas em diferentes lugares do Brasil é bem gratificante. É o nosso sotaque, música e paisagens alcançando cada vez mais pessoas”, conclui o diretor.

A Barca é o primeiro filme dirigido por Nilton Resende, lançado em dezembro de 2019 na 10ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano. Foto: Michel Rios

Em 2017, a estreia do curta “As melhores noites de Veroni”, de Ulisses Artur, marcou o retorno das produções alagoanas ao Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, após 32 anos sem nenhum representante no evento. Relações familiares à distância é a temática principal da ficção. “A ideia era mostrar como o distanciamento pode esfriar os relacionamentos nas famílias”, explica Ulisses.

Veroni(Lais Lira) vive dividida entre cuidar da casa, filha e do esposo caminhoneiro que permanece pouco tempo em casa. Foto: Liz Riscado

O filme é uma das obras contempladas em 2015 com o prêmio Guilherme Rogato concedido pela Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC),  como forma de incentivar a produção audiovisual na cidade. Nesse ano, foram destinados R$900 mil para audiovisuais de longa, curta e média-metragem.

Vinícius Palmeira, diretor-presidente da Fundação, afirma que “em Maceió, o contexto cinematográfico segue um caminho irreversível desde o surgimento da Lei Municipal de Incentivo à Cultura que criou a premiação”, e completa: “Estamos vivendo um momento muito recompensador em que o setor apresenta trabalhos cada vez mais maduros que levarão a cultura da nossa terra para o mundo”.

Vinícius Palmeira, diretor-presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC). Foto: Pei Fon/ Secom Maceió

Outra produção contemplada com o prêmio foi o longa-metragem “Cavalo”,  dirigido e roteirizado por Raphael Barbosa e Werner Salles Bagetti. O filme, primeiro longa desenvolvido com incentivo público  do Estado , teve sua estréia em fevereiro, na  23ª Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) – um dos maiores eventos de audiovisual do país- e já desperta a expectativa dos telespectadores maceioenses para sua estréia que acontecerá nos próximos dias. 

“Cavalo é um grito poético que deve reverberar”, diz Rafhael Barbosa. Foto: Vanessa Mota

O longa possui uma linguagem poética em suas cenas e conta a história de jovens dançarinos que resolveram mergulhar em sua ancestralidade como forma de pesquisa para sua criação artística. “Depois de 8 anos de pesquisa, tivemos vontade de tratar dos reflexos que o passado produz no contemporâneo. Resolvemos usar o corpo como signo principal para alcançar esse objetivo”, explica Bagetti.

 

Polyanna Monteiro

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