Os sons que embalam as ruas de Maceió


De geração em geração, Maceió tem demonstrado um grande potencial em seu cenário musical. Artistas gabaritados, de biografia
vasta que apresentam uma arte versátil e muito rica. Afinal, uma cidade com tantas belezas naturais tinha que oferecer uma trilha sonora a altura. 

Foi entre os anos 70 e 80 que nomes como  Mácleim Damasceno, Júnior Almeida, Almir Medeiros, Eliezer Seton e o famoso Grupo Terra apareceram no contexto da música em Maceió. Cada um a seu estilo, trouxeram uma contribuição considerável para a capital alagoana ao estabelecer uma trajetória que conta com premiações em festivais, parcerias com os maiores nomes da música nacional, além de muitas composições que viraram inspiração e referência para os maceioenses.

Com 05 discos gravados, o cantor e compositor Júnior Almeida não consta nessa lista por acaso. Iniciou sua carreira nos grandes festivais universitários da época, quando integrava a banda “Caçoa, mas num manga”. De lá para cá, construiu uma carreira consistente e sua música ecoa cada vez mais pelas ruas da cidade. Entre suas conquistas,  o artista celebra a alegria de contar com músicas gravadas por nomes como  Ney Mato Grosso e Mart’ nália, além de já ter dividido o palco com ícones como Djavan e Milton Nascimento.

“Nunca me prendi a estilos. Deixo livre para a música sair como ela quiser”, conta Júnior Almeida. Foto: Átila Vieira | Secom Maceió

A voz doce do cantor combina com sua forma de ver a vida e por consequência, a música. Para Júnior, a arte é a melhor maneira de se comunicar com as pessoas e consigo mesmo. “A música é uma forma de você se colocar no mundo. Quando pensamos assim, encontramos nosso lugar e as coisas passam a acontecer naturalmente. Eu faço música por uma necessidade de existência. Se eu não fizesse, não seria quem sou”, conta o artista.

E o cenário se amplia

A partir dos anos 90, outras vozes começaram a surgir  na capital alagoana. Artistas como Wado, Fernanda Guimarães, Grupo Cai Dentro, além de bandas como Mopho e Xique Baratinho chegam e diversificam ainda mais o cenário musical em Maceió.

Com um dos projetos mais inovadores do tempo, a banda Xique Baratinho surgiu em 1998, de forma despretensiosa, numa reunião de amigos em casa. O trabalho consistia em fazer uma releitura de cantorias populares como o coco de embolada, cordel, guerreiro e reisado que misturava características do arranjo original com ritmos como rock, jazz e black music. 

Vocalista e baixista da banda, Lelo Macena afirma que o trabalho do grupo conseguiu despertar interesse em muitos jovens pela cultura popular. “ Nossas músicas repetiam, de forma mais acessível, as palavras dos grandes mestres de nossa terra. Essa é a maior importância do projeto. Representamos um elo entre o tradicional e o moderno”, conclui Macena. 

Xique Baratinho deu início às apresentações musicais do Maceió Verão, em 2016. Foto: Pei Fon/Secom Maceió.

Ainda representando esse time, vem o catarinense, radicado em Maceió desde os oito anos de idade, Oswaldo Schlikmann Filho – o Wado. De carreira sólida e cheia de premiações, o cantor e compositor apresenta músicas com influências do samba e pop que já estiveram incluídas em trilha sonora de novela, além de percorrerem muitos lugares dentro e fora do país.

Em sua carreira, Wado já teve músicas gravadas por nomes como Zeca Baleiro, Marcelo Camelo, Chico Science e Marcos Valle. Foto: Wado/Instagram

Música que se renova com o tempo

Bruno Berle, é o nome do artista que, aos sete anos começou a tocar violão por incentivo do pai e nunca mais parou. Juntamente com artistas como Loreb, Rodrigo Avelino, Robson Cavalcante e  Edir Ribeiro representa a nova geração da música em Maceió. Apesar de estar aberto a todos os estilos musicais, o artista possui identificação especial com o rock e o indie rock. 

Seu olhar calmo se contrapõe à velocidade com que o artista compõe. Aos 26 anos, Berle já conta com 2 discos gravados e adianta que sua gaveta está cheia de canções esperando a melhor oportunidade para serem lançadas. 

O músico revela que tem muito respeito pela música e que seu maior sonho é ser lembrado pelas que produz. “Estou aqui para fazer canções e tocar pessoas. Não quero ser lembrado pelo que digo, mas pelo que canto. A música é maior do que tudo”, declara Berle.

“Minha maior conquista são minhas músicas”, diz Bruno Berle. Foto Átila Vieira/ Secom Maceió

Assim como Berle, Rodrigo Avelino também compõe e representa bem essa nova turma de artistas criativos que conseguem absorver várias influências e transformar em algo único de acordo com sua própria visão de mundo.  

Figura entre os artistas mais bem premiados da nova geração e teve seu primeiro disco gravado  em 2018, intitulado “Tempo de ser feliz” – mesmo ano em que o artista conquistou a chance de abrir o show do, já consagrado, Djavan. 

“Eu procuro escrever coisas que falam sobre mim e tudo o que vejo de maneira responsável”, afirma Avelino. Foto: Rodrigo Avelino/Acervo Pessoal

Rodrigo como os demais artistas, de qualquer que seja a época, se considera um instrumento da música para chegar nas pessoas e trazer um pouco de beleza a suas vidas. “A música está acima de nós, o poder que ela tem é transformador. É divino. Ela traz alegria para os que a escutam e todas as preocupações vão embora. O contato com a música faz toda diferença”, diz o cantor. 

Polyanna Monteiro

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